O mais simples é escolher o preset conforme a designação da embalagem (M100, M120, SP110…) no
campo Mola → preset. Os presets estão calibrados para a energia
nominal: M100 ≈ 1,00 J, M120 ≈ 1,44 J, SP110 ≈ 1,51 J e assim por diante.
O simulador suporta molas lineares e progressivas. Nas lineares (designação M) todas as
espiras são iguais; nas progressivas (designação SP) estão espaçadas de forma
irregular.
Se tiveres a certeza de que a tua mola não corresponde a nenhum preset (é mais provável que a
réplica onde a mediste não esteja bem afinada) – podes mexer no parâmetro
Rigidez até a simulação te dar a energia pretendida.
Medir a espessura do rolamento da guia
A espessura do rolamento de esferas (ou do casquilho metálico / plástico) na guia de mola
mede-se com craveira, em milímetros, a partir do plano da gearbox que serve também de
referência para medir o seu comprimento (até ao bordo dianteiro do cilindro). Essa espessura
introduz-se em Mola → Rolamento da guia de mola.
Em guias sem rolamento introduzes por regra 0 – mas repara em como a guia assenta: algumas,
mesmo sem rolamento, ficam um pouco à frente desse plano, e então tens de incluir esse desvio
no valor.
Para quem conta as espiras da mola
Em cima a linear, em baixo a progressiva. Ambas de 1,8 J.
O que querem dizer as designações: a letra M é para as molas lineares.
Nelas, comprimir a mola dois centímetros exige o dobro da força de a comprimir apenas um. A
força cresce linearmente com a compressão – daí o nome.
As letras SP designam as molas progressivas. Nelas a força não cresce
linearmente com a compressão, aumenta progressivamente. Isso facilita o arranque do motor e a
longo prazo reduz o desgaste do mecanismo. A principal vantagem das progressivas sobre as
lineares é que, por causa das espiras irregulares, amortecem mais depressa as vibrações do
disparo e por isso ressoam menos.
O número das molas M diz que velocidade (em m/s) teria, numa réplica bem
dimensionada, uma esfera de 0,20 g: M120 quer dizer 120 m/s. As molas não lineares
SP ligam esse mesmo número a uma esfera de 0,25 g – o que significa automaticamente
mais 25 % de energia do que uma mola M com o mesmo número.
Já agora, mais 25 % de energia dá só mais 11,8 % de velocidade, porque a energia cresce com
o quadrado da velocidade, mas é proporcional à massa.
Não acreditar cegamente no número
As forças das molas de um fabricante podem afastar-se bastante das de molas com a mesma
designação de outro. O problema é que o método de medição não está definido com rigor. Sim,
mede-se a energia da esfera à saída – mas não há nenhuma convenção sobre o afinamento da
réplica nem sobre o peso das esferas.
Os presets do Lab acertam no valor nominal numa réplica perfeitamente afinada, por isso, se o
cronógrafo te mostrar outra coisa diferente da simulação – antes de duvidares do modelo, duvida
do que a mola declara, ou do rigor dos dados que deste ao simulador. Os cronógrafos mais
baratos também sabem mostrar tudo e mais alguma coisa.
Reparei que, mais ou menos desde 2023, o controlo de qualidade afrouxou em vários fabricantes,
mesmo em marcas conhecidas – a força de duas molas «iguais» pode desviar-se bastante. Por isso
o melhor é teres a tua própria réplica de referência onde medes a força real com cronógrafo.
Avançado: a tua própria mola
Para molas fora do normal, o preset pode ser contornado e mete-se tudo à mão:
rigidez k (N/mm) – quantos newtons são precisos para a mola
comprimir 1 mm. Pode medir-se com um peso conhecido: põe o peso sobre a mola e vê quanto ela
comprimiu – mas parte obrigatoriamente da posição totalmente descomprimida. Por exemplo, um
peso de 1 kg (≈ 9,8 N) que comprime a mola 10 mm dá k ≈ 0,98 N/mm.
comprimento livre – com fita métrica, mola sem carga
massa da mola – uma balança de 0,1 g chega bem
Modelar uma mola não linear
Nas molas não lineares, além da rigidez, do comprimento livre e da massa, tens de introduzir
também a espessura do arame: Arame ⌀. Os grupos de espiras
adicionam-se clicando no botão Adicionar grupo e depois metendo o
número de espiras (não tem de ser inteiro) e o
passo das espiras (pitch) do grupo. Costumam ser duas densidades
de espira que se alternam. O terminador, ou seja, a espira encostada e parcialmente retificada
no início e no fim da mola, não conta.
Como exemplo, vê como estão modeladas as molas SP nos presets.
Rolamentos
Na guia de mola e/ou dentro do pistão costuma haver rolamentos – na maioria das vezes axiais
com coroa de esferas, ou casquilhos de metal/nylon.
Se a mola for demasiado forte, podes reduzir-lhe a força tirando um desses rolamentos – ou só
uma parte, por exemplo a coroa de esferas – com o que a espessura diminui. Mas atenção: se
tirares o rolamento do pistão, tens de voltar a pesar o pistão completo com a cabeça e
meter a nova massa em massa do pistão + cabeça.
As espessuras introduzem-se em rolamento da guia de mola (junto à
mola) e rolamento da cabeça de pistão (está no bloco de definições
do pistão).
Cortar a mola
A outra forma de baixar a energia: cortar umas espiras, o que reduz a pré-carga. O senão é que
uma mola encurtada fica mais rígida por milímetro (menos espiras ativas fazem o mesmo
trabalho), mas a descida da pré-carga pesa mais.
O processo é bastante contraintuitivo, por isso, se a cortares «a olho», o mais provável é que
a estragues. É por isso que a mola se corta aos poucos, com verificação no cronógrafo.
O simulador pode facilitar-te bastante essa vida, porque em Advanced existe a definição
Encurtamento da mola; metes quantos milímetros cortarias e ele
calcula sozinho qual vai ser a potência à saída.
Dica: uma mola mais forte não é lucro à borla. Das simulações sai que o rendimento desce
com a força – uma mola mais fraca converte em energia da esfera mais de 60 % do seu trabalho,
e as mais fortes menos de 50 %. Uma compressão mais violenta significa mais calor e mais
perdas. Ou seja: a mola mais fraca que atinge a energia pretendida é também a mais eficiente
– nada de «meto uma mola a mais e depois compensa-se».
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